Palestra aborda necessidade de controlar e erradicar doença que afeta ovelhas

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Transmissão da Scrapie costuma ser de mãe para seus filhos durante o parto ou pós-parto – Foto: Karine Viana

O controle e a erradicação de uma das enfermidades mais perigosas que prejudicam a criação de ovinos, a Scrapie, foi tema de palestra na manhã desta terça-feira (29), na programação da 40ª Expointer, no auditório da Administração do Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. O auditor fiscal federal agropecuário e chefe do Serviço em Saúde Animal da Superintendência Federal de Agricultura no Rio Grande do Sul, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Bernardo Todeschini, falou sobre a doença conhecida como tremor enzoótico em ovelhas, que atinge mais ovinos do que caprinos no mundo.

Caracterizada por uma lesão no cérebro causada por uma proteína que se torna infecciosa, a Scrapie é uma encefalopatia irreversível que provoca alterações de comportamento, como agressividade e isolamento; e alterações de movimento, como tropeços, quedas e muita irritação na pele do animal, levando até a se automutilar.

Conforme explica Todeschini, a doença acomete várias espécies e não há mecanismos de redução do avanço. Se uma vez manifestados os sinais clínicos, a enfermidade evolui em direção ao óbito dos exemplares.

“A Scrapie é bastante complexa em termos de tecnologia e diagnóstico, de ocorrência global, que circula por intermédio da importação de animais. Por ser gerado a partir de uma proteína que se desdobra de maneira anormal, é uma questão genética e tem um determinado grau de susceptibilidade. Não há um consenso sobre a identificação de que raças são mais propensas”, afirma o auditor.

A transmissão costuma ser de mãe para filho durante o parto ou pós-parto, num período de sete dias. Nesse tempo, a Scrapie pode ser transmitida para outros neonatos do mesmo local no momento da parição.

“O processo de rastreamento é similar ao da febre aftosa, e a localização dos focos de transmissão segue uma lógica que deve ser trabalhada muito bem pelo serviço veterinário porque é geográfica. Após ser denominado como um foco, se faz o sacrifício desses animais, que são fêmeas ou seus grupos contemporâneos. São feitos testes laboratoriais, e por legislação, por ser uma doença incurável, é permitido o sacrifício”, complementa Todeschini.

Controle e erradicação mundial

A União Europeia – quando houve o primeiro auge de Encefalopatia Espongiforme Bovina, conhecida como Mal da Vaca Louca, no início dos anos 90 – tomou maior conhecimento sobre as encefalopatias espongiformes causadas por príons, que são as proteínas infecciosas. Atualmente, existem programas de erradicação na Holanda e Estados Unidos, onde são feitos registros de rebanho e controle. A Nova Zelândia possui maior destaque nas ações de controle da Scrapie.

No Brasil, o primeiro registro foi em 1978, quando ainda era considerada uma enfermidade endêmica esporádica. Ainda não há estratégia de longo prazo para erradicar a doença no país.

Texto: Letícia Bonato
Edição: Gonçalo Valduga/Secom

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